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Maria Cristina Theobaldo; Luzia Aparecida Palaro (ORGS.)

2018

REFLEXÕES TEÓRICAS E METODOLÓGICAS SOBRE A DOCÊNCIA

Há quase um consenso: o pôr do sol mistura beleza e nostalgia. Acreditamos que as sensações dos que, de perto, se envolveram com o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) guardam similaridades com as percepções de quem se extasia com o ocaso do astro rei: maravilhamento e certa tristeza. Admiração pelo muito que foi possí­vel realizar, nos dez anos do Programa, e desgosto/repulsa ao prenúncio de seu desaparecimento já anunciado, fustigado pelos ventos da reiterada descontinuidade dos programas públicos de educação, como bem o denunciava Saviani, em 1994, na UNESP/Marí­lia.

Nesta situação de eventual adormecimento das esperanças depositadas em um programa que deu certo, é muito bem-vinda esta coletânea com 25 textos, de múltiplos sujeitos e originados nas diferentes circunstâncias do pensar e fazer a educação em distintos lugares sociais e geográficos.

Ousamos afirmar que a leitura destas reflexões pode propiciar, ao leitor, a ressignificação do mito platânico que figurava o homem como uma biga, com o auriga (razão) e dois corcéis: o irascí­vel (sentimentos) e o concupiscí­vel (paixões). Competia ao auriga afrouxar ou soltar as rédeas dos sentimentos ou das paixões. Desse modo, nos textos, todo leitor poderá dialogar com distintas racionalidades para, nas poucas narrativas em relação ao muito que o Pibid tornou realidade, e, talvez, assessorado pela dialética que vier a estabelecer com cada autor, distanciar-se do justificado maravilhamento/desgosto/repulsa e apostar na esperança – o fundamento de todo ato educativo – de que é possí­vel ir à frente.

Ir à frente, pois, etimologicamente, educere implica sair de um lugar e ir para outro. Assim, na impossibilidade de habitar a ambiância já familiar do Pibid, há que migrar para novos programas; essa é a urgência que se impõe a todos que apostamos na parceria Universidade/Educação Básica como lócus de formação do profissional da educação, porém, sem esquecer, no afã de atender ao urgente, que o necessário e substancial é lutar por políticas públicas, de Estado e não de governos, que criem e assegurem o cí­rculo virtuoso: formação de bons professores que, por sua vez, haverão de assegurar o direito à educação de qualidade a toda criança ou adolescente desta democracia que custa a se robustecer.

Ao agradecer a todos os 55 autores pelo que nos dão em “que pensar”, entregamos estes textos a você, leitor, com o desejo de que os utilize como ferramentas de reinvenção do que fazer educativo.

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