João Carlos Barrozo (ORG.)

2011

MATO GROSSO: A (RE) OCUPAÇÃO DA TERRA NA FRONTEIRA AMAZÔNIA (SÉCULO XX)

R$ 30,00Preço

Na década de 1950 o governo do Estado de Mato Grosso alienou vinte glebas para colonização, com uma área total de quatro milhões de hectares. Muitas destas glebas foram mantidas intocadas, para especulação fundiária, até meados da década de 1970. Quando Mato Grosso passou a receber um intenso fluxo migratório, estas glebas começaram a ser loteadas. O norte do estado, um imenso espaço considerado “vazio”, era território de povos indígenas, ocupado também por agricultores tradicionais e extrativistas. Para executar o projeto de “integração” da Amazônia estes espaços foram cortados por rodovias, desencadeando um processo violento e rápido de expropriação e até de extermínio. Os povos Kren-a-Karore, Paresi, Nambiquara e Xavante estão entre os mais afetados. As populações tradicionais perderam as terras ocupadas por gerações, as quais foram apropriadas privadamente, sendo transformadas em pastagens e plantações de soja e de algodão. Ao lado das grandes propriedades estão os assentamentos do INCRA e áreas de posse ocupadas por migrantes. A colonização em terras públicas tinha o objetivo de reocupar com migrantes pobres a Amazônia Meridional. Os empresários do sul/sudeste foram atraídos pela oferta de grandes áreas de terra baratas, pelo crédito subsidiado, e pelos incentivos fiscais. A floresta foi aberta, por milhares de trabalhadores, denominados peões, para implantar os projetos agropecuários. Os peões foram submetidos a relações de trabalho análogas ao trabalho escravo. O processo de reocupação, com recursos públicos, executado de forma predatória, provocou uma transformação social e ambiental radicais na Amazônia mato-grossense. Mas, apesar das mudanças, permaneceu a concentração fundiária. A terra antes inculta, agora está ocupada por pastagens e por enormes extensões cultivadas com soja e algodão.

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